O Encontro que Soltou Todos os Bichos: Quando o Flertes Fica Cheio de Gás

O Encontro que Soltou Todos os Bichos: Quando o Flertes Fica Cheio de Gás


Paula achou que tinha tirado a sorte grande no aplicativo de relacionamentos. A garota do outro lado do espaço virtual era linda, engraçada e papo super fluido. Em meio às conversas do match, veio aquela pergunta inusitada: “Você curte peido e arroto?”. Paula deu uma risada sincera diante da tela do celular, convicta de que era apenas um meme, uma piada interna de quem quer quebrar o gelo. Riu, respondeu na brincadeira e seguiu o jogo.
O interesse mútuo rendeu o tão esperado convite para um jantar. O local escolhido foi um restaurante elegante da cidade, com meia-luz, garçons atenciosos e aquele clima perfeito para romance. Elas se sentaram, fizeram os pedidos e o papo corria maravilhosamente bem. Paula já comemorava mentalmente o sucesso do encontro.
Foi quando os pratos chegaram que a teoria da “piada” ruiu por terra.
Antes mesmo da terceira garfada, um som discreto — mas inconfundível — veio do outro lado da mesa. Paula congelou. Olhou para a garota, que manteve a expressão plena, como se nada tivesse acontecido. Poucos segundos depois, a física provou que não era imaginação: uma névoa invisível e avassaladora subiu até o nariz de Paula. Aquele cheiro de ovo cozido esquecido no sol por três dias invadiu o ambiente. Paula segurou o ar, disfarçou com o guardanapo e tentou focar na comida.
Mas a noite estava apenas começando.
Incapaz de conter a própria “natureza”, a garota resolveu elevar o nível da performance gastronômica. Deu um gole no refrigerante e, sem qualquer cerimônia, mandou um arroto tão estondante que parecia o urro de um motor V8 ligando de manhã cedo.
O som ecoou pelo salão. O garçom paralizou com a bandeja na mão, os casais das mesas vizinhas pararam de mastigar e todos os olhares do restaurante se voltaram para a mesa das duas. Paula sentiu o rosto queimar de vergonha e desejou instantaneamente que o chão se abrisse e a engolisse com prato e tudo.
A acompanhante, por sua vez, agia como se estivesse na sala de casa, sorrindo e continuando a conversa normalmente, enquanto a atmosfera ao redor da mesa ficava cada vez mais densa e inabitável.
Foi ali que Paula entendeu: aquilo não era uma piada de aplicativo, era um aviso de utilidade pública que ela infelizmente resolveu ignorar.

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