
A BR-101 sempre foi conhecida por seus longos trechos escuros, curvas silenciosas e histórias que ninguém gosta muito de contar.
Mas entre motoristas antigos, existe um relato que se repete…
sempre com os mesmos detalhes.
Sempre com ele.
Era por volta das 2h da madrugada quando Marcos decidiu pegar a estrada.
Voltava de um plantão cansativo, com os olhos pesados e a mente distante.
A pista estava praticamente vazia.
Só o som do motor e o vento cortando a lataria.
Até que ele viu.
Um homem parado no acostamento.
Vestido completamente de preto.
Imóvel.
De cabeça baixa.
Marcos diminuiu a velocidade.
— “O que esse cara tá fazendo aqui uma hora dessas?”
Quando se aproximou, o homem levantou o rosto.
E foi aí que algo ficou errado.
Ele não fazia nenhum sinal.
Não pedia ajuda.
Não se mexia.
Só olhava.
Um arrepio subiu pela espinha de Marcos.
Mesmo assim, ele seguiu.
Passou direto.
Mas… no retrovisor…
o homem ainda estava lá.
Parado.
Olhando.
Marcos acelerou um pouco mais.
Tentou esquecer.
Mas poucos minutos depois…
lá estava ele de novo.
Mais à frente.
No mesmo jeito.
No mesmo lugar impossível.
— “Não… isso não é possível…”
Dessa vez, Marcos não diminuiu.
Passou direto, coração acelerado.
Respiração pesada.
Mas então…
o rádio do carro começou a falhar.
Um chiado estranho.
E no meio do ruído…
uma voz baixa:
— “Você não devia ter passado…”
O carro falhou.
As luzes piscaram.
E, de repente…
apagou.
Silêncio.
Total.
Com as mãos tremendo, Marcos olhou devagar para o lado.
E lá estava ele.
Agora… ao lado do carro.
O homem de preto não tinha rosto.
Apenas um vazio escuro onde deveria estar.
E mesmo assim…
Marcos sentiu que estava sendo encarado.
A porta do carro…
fez um leve clique.
Na manhã seguinte, o carro foi encontrado no acostamento da BR-101.
Motor desligado.
Porta aberta.
Sem sinais de luta.
Sem marcas.
Sem Marcos.
E desde então…
motoristas que passam por aquele trecho, de madrugada…
juram ver um homem de preto…
parado…
esperando…
o próximo carro parar.
