O Jardim das Duas Luas

“O Jardim das Duas Luas”

Numa aldeia escondida entre montanhas e rios de névoa, vivia Amara, uma jovem curandeira que falava com as plantas e sonhava com o impossível. Todas as noites, ela via em sonho uma mulher de olhos dourados que a chamava por outro nome — Líris.

Certa madrugada, o sino da torre tocou três vezes, o sinal de que algo mágico se aproximava. Amara correu até o campo e viu uma carruagem feita de luz parar diante dela. De dentro, desceu uma mulher vestida com um manto azul-escuro e símbolos prateados.

— Vim procurar você — disse a estranha. — Sou Seren, guardiã do Jardim das Duas Luas.

Amara sentiu o coração acelerar. — Eu te conheço… dos meus sonhos.

Seren sorriu. — E eu te esperei por vidas.

Levada pela curiosidade e por algo mais forte que o medo, Amara seguiu Seren até um portal escondido sob as raízes de uma árvore antiga. Do outro lado, havia um jardim que parecia respirar: flores que cantavam, rios que brilhavam e duas luas suspensas no céu — uma dourada, outra prateada.

Seren explicou: — Este lugar só se abre para almas ligadas pelo mesmo feitiço. Numa era distante, você e eu protegemos este jardim. Mas quando as trevas caíram sobre o mundo, você se sacrificou para salvar tudo.

Amara abaixou o olhar. — Então foi por isso que te via… mesmo sem lembrar de nada.

As duas caminharam até o lago, onde as luas se refletiam lado a lado. Quando Amara tocou a água, o espelho líquido mostrou as duas em outra vida — guerreiras, amantes, unidas por um juramento: “Quando duas luas voltarem a brilhar, nós nos reencontraremos.”

Seren a olhou nos olhos. — As duas luas voltaram, Amara.

E então se beijaram — e o jardim floresceu como se o universo respirasse alívio. As trevas foram dissipadas, o portal se fechou, e o mundo voltou a ter cor.

Dias depois, Amara decidiu permanecer no Jardim das Duas Luas. Lá, as duas viviam entre magia e calma, curando viajantes e escrevendo novos feitiços de amor.

E em todas as noites, quando as luas se tocavam no céu, o reflexo delas no lago mostrava duas mulheres sorrindo — almas antigas, enfim, em casa.

https://youtu.be/5SUHWtfYV0U?si=Rj9whOR4yZUmJ-0P
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