O Matador de Abreu e Lima

O Matador de Abreu e Lima

Lenda Urbana Pernambucana – 1964

Em 1964, Abreu e Lima — cidade da Região Metropolitana do Recife, ainda em crescimento e cercada por matas, engenhos e estradas escuras — foi palco de uma série de acontecimentos que até hoje fazem parte do imaginário popular.

Os mais antigos contam que, naquele ano, surgiu um homem misterioso que passou a ser chamado apenas de O Matador de Abreu e Lima. Ninguém sabia seu nome verdadeiro, nem de onde vinha. Só se sabia que ele aparecia nas madrugadas, sempre entre o barulho da chuva e o som distante de botas ecoando no chão molhado.

O primeiro corpo foi encontrado perto da antiga estrada do Timbó. Depois vieram outros — sempre com o mesmo corte no pescoço e o mesmo símbolo desenhado no chão: uma cruz torta feita com sangue. A polícia tentou culpar bandidos comuns, mas as mortes tinham algo diferente. Eram frias, silenciosas, quase rituais.

Diziam que o matador era um ex-soldado que havia enlouquecido depois de perder a família num incêndio. Outros juravam que ele fazia parte de uma seita que prometia “limpar a cidade do mal”. Havia até quem dissesse que ele não era humano — que o espírito de um justiceiro morto havia voltado para castigar os pecadores.

Durante meses, o medo dominou a cidade. Ninguém saía depois das dez. As portas eram trancadas com correntes e os cães latiam para o vazio.
Um lavadeiro da época afirmou ter visto uma figura alta, coberta por um capote preto, caminhando devagar pela estrada de Caetés. A luz da lamparina balançava, e o cheiro de querosene tomava o ar. Quando ele piscou, o homem havia sumido.

Depois da última vítima — um sargento do exército —, o matador nunca mais foi visto. Mas até hoje, quem mora nas áreas mais antigas de Abreu e Lima jura ouvir, em certas madrugadas, o som de botas molhadas e um sussurro rouco dizendo: “ainda não acabou…”

Os moradores mais velhos aconselham:

> “Se passar da meia-noite e sentir cheiro de querosene… não olhe pra trás. Pode ser o Matador voltando pra terminar o que começou.”



Porque ninguém sabe se ele realmente existiu…
Ou se o medo dos anos 60 apenas criou uma lenda que continua viva até hoje, nas esquinas silenciosas de Abreu e Lima.

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