
Eu tinha entre 17 e 18 anos, estava recém-terminado, emocionalmente abalado e, como toda pessoa sensata nessa situação, resolvi ir à praia “pra esfriar a cabeça”. Spoiler: não esfriou nada.
Foi lá que conheci uma menina. Conversa vai, conversa vem, beijo daqui, beijo dali… pronto. Em questão de dias, já parecia que a gente tinha assinado um contrato vitalício sem ler as cláusulas.
O beijo foi bom, a companhia também. O problema começou quando ela decidiu que precisava saber tudo: onde eu morava, por onde eu andava, onde eu respirava, onde eu talvez existisse em pensamento.
Eu ia sair? Ela aparecia.
Eu tava parado? Ela surgia.
Eu pensava nela? Provavelmente ela já estava atrás de mim.
Em pouco tempo, comecei a sentir que não estava num quase namoro… estava num documentário do Discovery sobre perseguição urbana.
Pra piorar, meu coração ainda gostava de outra pessoa. Aí pensei:
“Vou fazer o certo. Vou conversar. Ser maduro.”
Erro número um.
Chamei ela pra conversar, expliquei que não dava mais, que era melhor ficarmos só amigos. Foi aí que ela começou a chorar como se eu tivesse anunciado o fim do mundo, a queda do meteoro e o cancelamento do Carnaval tudo junto.
Conversa encerrada, eu virei as costas e fui embora andando, achando que tinha escapado ileso.
Erro número dois.
Do nada, PÁ.
Uma pedrada nas costas.
Eu nem entendi o que tinha acontecido. Só sei que senti uma dor danada e pensei: “Rapaz… levei uma pedrada mesmo?”
O mais engraçado (ou trágico, depende do ponto de vista) é que todo mundo correu pra ajudar ela, que estava chorando.
E eu?
Eu fiquei lá… com dor nas costas e sozinho, tentando entender em que momento da conversa “vamos ser só amigos” isso virou arremesso de objeto contundente.
Mas calma que não acabou aí.
Durante uma semana inteira, ela virou tipo uma lenda urbana:
dizia que tinha me visto no shopping
jurava que eu estava em festas que eu nem fui
aparecia em lugares onde eu tinha estado… ou não
Era quase:
“Fulano foi visto passando por aqui”
e eu em casa, deitado, com dor nas costas.
Depois de uma semana, graças a todos os santos, ela sumiu.
A perseguição acabou, a dor passou e ficou só a história — que hoje eu conto rindo, mas que na época foi o evento mais absurdo da minha juventude.
Moral da história
Nem todo beijo na praia é romance
Conversar com maturidade é importante, mas não garante integridade física
E se você terminar um relacionamento… olhe para os lados antes de virar as costas
Porque vai que, né? 😅

